Cinema Comunitário Krahô

Povo Krahô Inaugura Primeira Sala de Cinema em Terra Indígena do Brasil

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Um marco histórico para a cultura indígena brasileira foi celebrado nesta quarta-feira: a inauguração do Cinema Comunitário Krahô, a primeira sala de cinema construída dentro de uma Terra Indígena no país. Localizada na aldeia Koprer, a iniciativa é resultado de mais de uma década de sonhos e esforços coletivos, impulsionados especialmente pela jovem Ilda Patpro Krahô.

A trajetória de Ilda com o audiovisual começou com oficinas do coletivo Mentuwajê Guardiões da Cultura. Desde então, ela atuou como roteirista e atriz no filme A Flor do Buriti, percorrendo festivais nacionais e internacionais. Foi nessa jornada que nasceu a vontade de criar um espaço permanente de exibição e encontro dentro de sua própria comunidade.

“Hoje temos televisão, celular e internet nas aldeias. Mas as histórias que vemos ainda são as histórias do branco. Quando estive nos festivais de cinema, senti a alegria de ver nossas imagens nas telas. O cinema é diferente — é um lugar de encontro, onde tem espaço para nossas memórias e nosso olhar”, afirma Ilda. “Quero que as crianças Krahô possam lembrar sempre dos mais velhos e que, sentadas no nosso Cinema Comunitário, possam imaginar o futuro a partir da aldeia e de nossas imagens.”

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A sala foi construída pela comunidade, com apoio de trabalhadores do município de Itacajá (TO), e contou com a colaboração dos cineastas Renée Nader MessoraJoão SalavizaJulia Alves e Ricardo Alves Jr. O projeto arquitetônico, desenvolvido por Thiago Benucci com acompanhamento de Simone Giovine, propõe uma integração harmoniosa com o ambiente: uma arquibancada escavada no solo, coberta por um grande telhado, com laterais abertas para ventilação natural e visão da paisagem.

Com capacidade para 150 pessoas, o cinema oferece uma experiência única: além dos bancos de madeira, o público pode assistir aos filmes deitado em redes, com vista para a tela, o pátio da aldeia e o céu estrelado do Cerrado. Equipado com um projetor digital de alta definição, o espaço também abrigará um acervo audiovisual com registros de quase um século sobre os Krahô e outros povos indígenas, disponível em rede interna.

A partir de 2026, a aldeia Koprer passará a receber encontros regulares de cinema, em parceria com festivais e instituições culturais de todo o país. “Queremos receber nossos parentes de outros povos, com seus filmes e suas histórias. Tem lugar para todo mundo no nosso Cinema”, reforça Ilda.

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Para os idealizadores, o Cinema Comunitário Krahô é mais do que um espaço cultural: é um instrumento de luta pela autodeterminação, preservação da memória e afirmação identitária. “É mais um instrumento de luta pela autodeterminação, pela preservação da memória coletiva e pela afirmação cultural do povo Krahô”, destacam Renée e João.

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