Sussa encontra Ballroom

Diversidade marca o Festival de Culturas Populares e o Encontro de Blocos em Palma

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Evento ocupou o Espaço Cultural de Palmas no último sábado, 6, com artistas do interior e da capital, feira de empreendedorismo feminino, acessibilidade e encontro histórico entre Sussa tocantinense e Ballroom.

O Festival de Culturas Populares e Tradicionais do Tocantins, realizado em conjunto com o Encontro de Blocos, transformou no último sábado, 6, a grande praça do Espaço Cultural de Palmas em um território vivo de encontros, saberes e expressões artísticas. Ao longo da programação, mais de 1.500 pessoas passaram pelo espaço, celebrando a potência da cultura popular em diálogo com a cena urbana contemporânea.

Com artistas vindos de todas as regiões do Estado, o evento promoveu uma troca inédita entre 65 artistas do interior, que viajaram até a capital, e mais de 100 artistas palmenses, construindo uma programação que rompeu fronteiras entre palco e público, tradição e cidade. Rodas, cortejos, shows e vivências se espalharam pelo Espaço Cultural, convidando o público a participar de forma ativa.

O professor Juarez Carvalho, puxador dos cânticos do grupo de Congos e Taieiras, conta que o festival é uma oportunidade de celebrar a cultura do povo negro, além de divulgar a tradição secular realizada em homenagem à Nossa Senhora do Rosário, protetora dos pobres e negros, em Monte do Carmo. “A gente tem uma troca muito importante nesses eventos, além de reencontrar os amigos de outras comunidades, conhecemos novos ritmos, pessoas e expressões artísticas”.

Jaqueline Moraes, produtora do festival, destaca o caráter coletivo da iniciativa. “Este festival nasce do encontro. Da vontade de colocar o interior, a cidade e as pessoas no mesmo local para celebrar uma cultura que é viva, diversa e acessível”, disse. Phillipe Ramos, produtor do evento, explica que a curadoria foi pensada como diálogo. “A proposta foi criar pontes entre tradições e expressões contemporâneas”. Já Thalia Batista ressaltou o impacto social da realização. “Muito importante fomentar a economia criativa, fortalecer artistas locais e criar oportunidades reais de troca e visibilidade”, afirmou a produtora.

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O festival também teve impacto direto na economia criativa local. A feira “As Mina PMW” fortaleceu o empreendedorismo feminino, reunindo mulheres produtoras em um espaço de visibilidade e geração de renda. O comércio local foi impulsionado com a venda de comidas e bebidas produzidas no Tocantins, com destaque para marcas artesanais como a Bem-te-vi e a Curiango Brew, valorizando os saberes e sabores do território.

Acessibilidade e Inclusão

Um dos pilares do evento foi o compromisso com a acessibilidade cultural. O festival contou com área PCD estruturada, com mesas e cadeiras, espaço reservado que garantia visão privilegiada para o palco, além de intérpretes de Libras ao longo da programação. “A gente quer garantir o acesso de pessoas com deficiência às apresentações artísticas”, explica a produtora Larissy Saraiva.

Para o diretor de Acessibilidade do Coletivo Meu Bloco, Arildo Monari, a proposta de acessibilidade não é um detalhe, é um princípio da produção do evento. “Pensar o evento desde o início para que todas as pessoas possam vivenciar a cultura de forma plena é uma escolha política e ética. Quando garantimos intérpretes de Libras, espaço adequado, conforto e visibilidade, estamos dizendo que a cultura é um direito e não um privilégio”, destaca.

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Sussa encontra Ballroom

Um dos momentos mais simbólicos do evento foi o encontro afrodiaspórico entre a Sussa e o Ballroom, que se apresentaram ao mesmo tempo.A Sussa é uma dança afro-brasileira presente em diversas comunidades quilombolas do Tocantins, onde canto, dança e tambor se entrelaçam para narrar histórias de resistência, território e ancestralidade.
O Grupo de Sussa Tia Ângela, originário de Santa Rosa, território negro do interior do Estado, tem como mestra Mãe Cleusa, também dirigente da Tenda de Umbanda Cabocla Yara e Caboclo Boiadeiro, sediada no município. Durante o evento, o grupo convidou o Coletivo Toca Ballroom para compartilhar o espaço. O coletivo é responsável por fomentar a cultura ballroom na capital – uma linguagem que também nasce da diáspora negra, especialmente das vivências da comunidade LGBTQIAPN+, dos corpos dissidentes e da reinvenção estética urbana como forma de sobrevivência e afirmação.

A programação teve início às 16 horas com a roda de capoeira do grupo Toca Angola, que deu início ao evento. Ao longo da tarde e da noite, o público acompanhou rodas de sussa, apresentações do Projeto Vereda, dos Congos e Taieiras de Monte do Carmo, da Bateria Boto Fé Nesse Carna, do Masterholic, do Trio Bacana, do Lindô da comunidade quilombola Cocalinho, do grupo Tô Pagodeira, encerrando com a Móia Cumbia.

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