Grupo tocantinense se apresentou no dia 28 de maio, no Centro Cultural São Paulo, dentro da programação de encerramento do festival promovido pela Fundação Cultural Palmares

Vozes de Ébano encerra participação no Festival Akwaaba com show marcado por ancestralidade, resistência e afeto

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O encerramento do Festival Akwaaba, em São Paulo, foi marcado por música, memória, ancestralidade e pela força da arte negra produzida no Norte do Brasil. No dia 28 de maio, o Grupo Vozes de Ébano subiu ao palco da Sala Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo, para apresentar o show Minha Voz é Resistência, em uma apresentação que emocionou o público e reafirmou a potência das mulheres negras na cena musical brasileira.

Formado pelas cantoras Cinthia Abreu, Fran Santos e Malusa, o grupo levou para o festival um espetáculo que une música, poesia, performance, presença cênica e narrativas de enfrentamento ao racismo, ao silenciamento e às desigualdades históricas vividas por mulheres negras no Brasil. Mais do que um show, a apresentação foi conduzida como um manifesto artístico, no qual cada canção se transformou em território de memória, denúncia, celebração e cura coletiva.

No palco, o Vozes de Ébano apresentou um repertório atravessado por ancestralidade, identidade e resistência. A força vocal das três artistas se somou à presença da banda e aos elementos cênicos do espetáculo, criando uma atmosfera de celebração da vida, da memória e da dignidade de mulheres negras que transformam suas dores, trajetórias e afetos em arte.

Para a cantora Cinthia Abreu, participar do Festival Akwaaba foi um momento histórico para o grupo e para a cultura negra produzida no Tocantins. “Estar no Akwaaba foi muito simbólico para nós. Somos mulheres negras do Norte do Brasil, de um território que muitas vezes ainda é invisibilizado nas grandes programações nacionais. Subir naquele palco foi afirmar que a nossa voz existe, resiste e também constrói a história da cultura negra brasileira. Foi um encontro com a nossa ancestralidade e com o futuro que queremos ajudar a construir”, destacou Cinthia.

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A cantora Fran Santos ressaltou que o show Minha Voz é Resistência nasce das vivências das artistas e dialoga com histórias compartilhadas por muitas mulheres negras no país. “Quando falamos de resistência, não falamos apenas de dor, mas também de beleza, de força, de amor, de continuidade. O Festival Akwaaba nos permitiu encontrar outras vozes da diáspora e perceber que nossas histórias se conectam. Foi uma experiência de acolhimento, de troca e de reafirmação da nossa missão enquanto artistas negras”, afirmou Fran.

Para Malusa, a apresentação no encerramento do festival representou também uma homenagem às mulheres que abriram caminhos para que outras pudessem ocupar os palcos. “Na passagem de som, os técnicos me informaram que Elza Soares cantou no mesmo palco há décadas atrás, eu senti uma emoção gigante naquela hora e acredito que a energia foi diferente de entrega a partir daquele momento. Quando cantamos, não cantamos sozinhas. Cantamos com nossas mães, avós, ancestrais e com tantas mulheres negras que vieram antes de nós, como a própria Elza que tanto é referência para nós”, disse Malusa.

Público

A plateia acompanhou o show com entusiasmo e emoção. Entre aplausos, registros em vídeo e momentos de escuta atenta, o público respondeu à apresentação como quem reconhece no palco uma narrativa coletiva. “Foi um show muito forte. A gente sente que não é apenas música, é uma experiência. As vozes delas atravessam a gente, porque falam de identidade, de orgulho e de pertencimento. Saí emocionada”, contou a contadora Letícia Santos, espectadora presente na apresentação.

A funcionária pública e ativista social Gabrielle Dias também esteve presente do público destacou a importância de ver artistas negras do Tocantins ocupando um festival de dimensão nacional e internacional. “É muito bonito ver um grupo do Norte do Brasil trazendo essa qualidade artística e essa mensagem. O Vozes de Ébano mostrou que a cultura negra brasileira é diversa, profunda e vem de muitos territórios. Foi uma apresentação necessária”, afirmou.

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A presença do grupo no Festival Akwaaba também reforça a importância da descentralização da cultura brasileira. Ao levar ao palco uma produção artística nascida em Palmas, no Tocantins, o Vozes de Ébano amplia o debate sobre representatividade regional, protagonismo feminino negro e circulação nacional de artistas da Amazônia Legal e do Cerrado. Ao encerrar sua participação no Festival Akwaaba, o grupo deixou no palco uma mensagem de força e continuidade: a voz de mulheres negras é memória viva, é presença política e é também anúncio de futuro. Em São Paulo, diante de uma programação dedicada às conexões afro-diaspóricas, o Vozes de Ébano mostrou que cantar também é um gesto de resistência, pertencimento e transformação.

Festival

Realizado pela Fundação Cultural Palmares, a iniciativa reforça o compromisso da instituição com a valorização da cultura afro-brasileira e com a promoção de ações voltadas ao fortalecimento das relações entre África e diáspora. A programação aconteceu de 22 a 28 de maio com seminários internacionais, apresentações artísticas, cinema, literatura, feira afroempreendedora e atividades voltadas ao fortalecimento das conexões entre África, Brasil e diáspora africana.

A participação do Vozes de Ébano integrou a programação de encerramento do Festival Akwaaba, que, ao longo de sete dias, reuniu artistas, intelectuais, lideranças, pesquisadores, empreendedores e representantes institucionais em torno das conexões entre África, Brasil e diáspora africana. O evento ocupou espaços simbólicos da capital paulista, como o Centro Cultural São Paulo e o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, promovendo debates, shows, feira afroempreendedora, atividades formativas e encontros voltados à valorização da cultura negra.

 

 

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