Após ser acusado de promover “racismo estrutural e linguístico”, o Prêmio Carolina Maria de Jesus, do Ministério da Cultura (MinC), abriu mais 12 vagas no concurso. O total de escritoras premiadas passará de 61 para 73 de acordo com uma nota publicada no site do ministério na terça-feira (22). Com a abertura das novas vagas, as escritoras negras que alcançaram nota máxima (30 pontos) passam à categoria “ampla concorrência” e não são mais avaliadas como cotistas.
A mudança é resultado da pressão do coletivo Nós, Carolinas do Brasil, que, em carta aberta, pediu que o prêmio fosse suspenso e reformulado. Segundo o coletivo, concurso apresenta “falhas gravíssimas”, recorre a “metodologias de avaliação excludentes” e promove “racismo estrutural e linguístico”.
O coletivo cita como exemplo a exigência de que as obras inscritas se destaquem por “domínio técnico e inventividade no uso dos recursos linguísticos”. Tal condição, afirma a carta, “força uma adaptação que tenta restringir nossa rica diversidade a um único modelo de escrita considerado como ‘correto’, modelo decorrente da norma linguística imposta pelos colonizadores desta nação”. O coletivo atribui a essa norma o fato de que nenhuma escritora quilombola ou indígena tenha atingido a nota máxima.
O sistema de cotas adotado pela premiação também foi criticado. O coletivo reclama da restrição da participação de escritoras, negras, quilombolas, indígenas, ciganas e PCD) “somente às vagas do quadro de cotas”, impedindo que elas concorram na categoria “ampla concorrência”.
As 12 novas vagas anunciadas pelo MinC serão destinadas a escritoras negras. Segundo o ministério, 17 escritoras negras concorrem na categoria “ampla concorrência”, 12 por meio das cotas, três como quilombolas e duas como pessoas com deficiência. Das 36 autoras brancas selecionadas, 32 se enquadram na categoria “ampla concorrência” e quatro são pessoas com deficiência. Três escritoras indígenas também estão na disputa. A premiação também reservou vagas a escritoras ciganas, mas nenhuma se inscreveu.
Com o aumento do número de premiadas, o valor do concurso chega a R$ 3,650 milhões. Cada vencedora receberá R$ 50 mil. Em uma rede social, o coletivo Nós, Carolinas do Brasil reconheceu que o aumento o número de vagas “beneficiará muitas mulheres merecedoras de tal prêmio”. No entanto, fez ressalvas: “entendemos também que tal atitude não resolve os demais erros apontados com clareza pelo Coletivo Nós, Carolinas do Brasil, principalmente sobre a metodologia utilizada na execução deste edital”.







