“Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, é aclamado no Festival de Veneza com 10 minutos de aplausos

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No último domingo, o Festival de Cinema de Veneza foi palco de uma emocionante estreia. “Ainda Estou Aqui”, o mais recente filme de Walter Salles, recebeu uma ovação de 10 minutos e 20 segundos na Sala Grande do Palazzo del Cinema, emocionando a plateia e arrancando elogios da crítica internacional.

O filme, que marca o retorno de Salles ao cinema narrativo após 12 anos, é baseado na história real de Eunice Paiva, uma mulher corajosa que passou quatro décadas buscando a verdade sobre o desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva, durante a ditadura militar no Brasil. Rubens, um deputado cassado após o golpe de 1964, foi sequestrado pela polícia militar em 1971 e nunca mais foi visto. O longa é inspirado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, filho de Eunice, que retrata a luta da mãe contra o silêncio e a injustiça.

Uma história de resistência e empatia

Walter Salles, conhecido por clássicos como “Central do Brasil” e “Diários de Motocicleta”, expressou durante a coletiva de imprensa sua profunda admiração por Eunice Paiva. “O que realmente me emociona no livro é o fato de que é uma história extraordinária de uma família resistindo a um ato de violência e uma mulher se reencontrando em meio a isso”, disse o diretor. “Eu me apaixonei por essa mulher. Eu a conheci. Mas o que Marcelo fez foi descobrir que sua mãe era de fato o coração desta família”.

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A interpretação de Fernanda Torres como Eunice Paiva foi amplamente elogiada pela crítica. A atriz destacou a força e resiliência de sua personagem: “Ela foi uma heroína. Ela encarou a tragédia evitando o melodrama. Não queria que seus filhos se tornassem vítimas da Ditadura. E o jeito que ela encontrou para fazer isso foi ficar em silêncio e sorrir.”

Elogios da crítica internacional

A recepção crítica ao filme tem sido amplamente positiva. O Hollywood Reporter o classificou como “profundamente tocante”, enquanto a Variety destacou sua abordagem “radical em empatia”. Para o Deadline, o filme é uma “poderosa advertência da história”, ressaltando sua importância como um tributo e uma defesa do Brasil. A atuação de Fernanda Torres foi destacada pelo The Guardian como “impressionante”, sendo descrita como digna de temporada de premiações.

Foram 10 minutos de aplausos calorosos ao final da exibição do filme brasileiro ”Ainda Estou Aqui” no Festival Internacional de Veneza 2024, onde está indicado ao Leão de Ouro

Uma obra para recordar e refletir

Marcelo Rubens Paiva, autor do livro e filho de Eunice, comentou sobre a importância de contar a história de sua mãe: “Quando minha mãe começou a perder sua memória [devido ao Alzheimer], eu senti que tinha que escrever algo sobre ela… Ela era o centro da nossa família, uma figura central na luta contra a ditadura e pela democracia.”

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Além de homenagear Eunice Paiva, “Ainda Estou Aqui” também serve como um lembrete do impacto duradouro da ditadura militar no Brasil e da importância de preservar a memória dessas histórias.

Produção e lançamento

“Ainda Estou Aqui” é o primeiro filme original Globoplay e foi produzido pela VideoFilmes, RT Features e Mact Productions, em coprodução com ARTE France e Conspiração. Ainda não há previsão de lançamento em circuito comercial no Brasil, mas o impacto já causado em Veneza sugere que o filme terá uma recepção calorosa quando chegar às telas brasileiras.

O longa de Salles promete não apenas contar uma história pessoal de resistência e resiliência, mas também provocar uma reflexão profunda sobre o passado recente do Brasil e a luta por justiça e verdade.

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