Hoje, 11 de setembro, o Brasil celebra o Dia Nacional do Cerrado, o segundo maior bioma do país e berço das águas que alimentam rios e aquíferos de quase toda a América do Sul. Mais do que uma data no calendário, este é um chamado à reflexão sobre a preservação de um território que resiste ao avanço do agronegócio, ao desmatamento e às queimadas.
O Cerrado é casa de uma biodiversidade impressionante: são milhares de espécies de plantas, aves, insetos e mamíferos que convivem em harmonia nos campos, veredas e chapadões. É também lar da onça-pintada, majestosa guardiã desse ecossistema, cuja presença indica equilíbrio ambiental. Onde ela pisa, a vida está em ordem — onde ela desaparece, o bioma adoece.
Mas o Cerrado não é feito apenas de fauna e flora. É também território de gente. Povos indígenas, comunidades quilombolas e camponesas carregam a memória e o cuidado com a terra, mantendo vivas práticas de manejo sustentável que garantem alimento, sementes crioulas e saberes ancestrais. Neste dia, especialistas e movimentos sociais lembram que a justiça para o Cerrado passa pela garantia de território e direitos para esses povos. Sem eles, a preservação é impossível.
A data convida a um olhar poético, mas também político. O Cerrado é resistência: brota mesmo depois do fogo, guarda no solo um sistema de raízes profundo, como quem insiste em viver. É preciso que a sociedade, governos e empresas façam o mesmo — aprofundar compromissos, reconhecer responsabilidades e devolver à terra o que dela se retira.
Neste 11 de setembro, o chamado é claro: proteger o Cerrado é proteger a água, o clima e o futuro. É garantir que a onça continue a caminhar soberana pelas matas, que o canto das araras siga ecoando e que os povos do campo tenham sua justiça. Pois o Cerrado não pede muito — apenas o direito de continuar existindo.







