Iniciativa foi selecionada no edital Projetos Culturais 2024 - Palmas e viabiliza a montagem de um espetáculo circense

Contemplado pela PNAB, “Ciranda das Quebradeiras” homenageia as mulheres do coco babaçu com arte e resistência

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Com estreia prevista para agosto, a montagem do espetáculo “Ciranda das Quebradeiras” já iniciou no distrito de Taquaruçu, idealizado pela Trupe-Açu Cia de Circo. Contemplado no edital Projetos Culturais 2024 – Palmas, lançado pelo Governo do Tocantins via Secretaria da Cultura (Secult), a iniciativa recebeu o aporte de R$50.000,00 provenientes da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). A proposta homenageia a trajetória das mulheres quebradeiras de coco babaçu por meio da palhaçaria e da linguagem circense.

“Ciranda das Quebradeiras” conecta a arte circense à ancestralidade das mulheres do babaçu, traduz gestos e cantos cotidianos em poesia cênica, dando voz a uma luta que atravessa gerações e celebra a força ancestral. Para a proponente Ester Monteiro, a Palhaça Tapioca, artista que assina a concepção e também está em cena, o espetáculo proporciona uma imersão no cotidiano dessas mulheres. “O público pode esperar tudo, pode esperar uma experiência imersiva que vai ser muito emocionante, onde será transportado todo mundo para o universo das quebradeiras de coco babaçu, através da palhaçaria. É um espetáculo que mistura humor, drama, bufonaria e proporciona uma reflexão muito profunda sobre a luta dessas mulheres”, explica.

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O espetáculo nasce de uma pesquisa de mais de uma década sobre o tema e incorpora a vivência da própria proponente. Neta de uma quebradeira de coco, Ester também destaca o potencial da comicidade como ponte de empatia com o público: “A palhaçaria ajuda a tornar a luta das quebradeiras muito mais acessível e visível ao público. A gente usa o humor, o teatro físico, palhaçaria, que humaniza ainda mais, dá visibilidade a essas mulheres, e ao mesmo tempo a gente denuncia as injustiças e desafios que são enfrentados por elas”, disse.

O processo de criação começou neste mês, com o início da montagem com a direção da artista paulista Cibele Mateus. A educadora social e pedagoga tem trajetória centrada nas matrizes afroindígenas, além de desenvolver pesquisas sobre a comicidade negra e atuar na criação de dramaturgias em todo país.

Ao destacar o desafio de transformar esse universo em cena, Cibele afirma que “é um lugar de muita responsabilidade fazer estas escolhas e configurá-las para a linguagem da palhaçaria, entendendo essa palhaçaria que faz rir, que tem esse estado de graça, de alegria, mas que também vai falar de política, de luta, de resistência, de direitos”.

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Sobre a proponente e a Trupe-Açu

Criada em 2010 em Taquaruçu, a Trupe-Açu Cia de Circo é referência no fomento à cultura popular e às linguagens do circo no Tocantins. Natural de Goiânia (GO), Ester Monteiro, a Palhaça Tapioca, é idealizadora de projetos como o Cabaré Circense Mama Cadela, Circo no Jalapão e o Bloco de Pernaltas, tendo formação na Escola Livre de Palhaços do Rio de Janeiro (ESLIPA).

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